O primeiro simulado que te ajuda a entender o cálculo da nota do ENEM - 31 de julho de 2014

Como já tenho dito, a nota de dois alunos que acertam a mesma quantidade de questões sempre é diferente, pois ela tem a ver com a consistência das respostas dadas pelo aluno. Essa é a noção de "constructo": cada aluno, ao responder a prova, constrói um caminho diferente, e há caminhos mais coerentes que outros.


Explico: por exemplo, se um aluno acerta as questões mais difíceis, e erra as fáceis, a chance de ele ter acertado as questões difíceis ao acaso (o famoso "chute") é maior, já que normalmente o aluno tende a acertar todas as questões do seu nível de proficiência e abaixo dele. O caminho das questões acertadas por esse aluno não foi coerente e por isso a sua nota será menor.


Além da possibilidade de esse aluno ter acertado as questões mais difíceis ao acaso, existe outra forma de esse "caminho inconsistente" acontecer: imagine se um aluno de alta proficiência gasta um tempão respondendo a prova de Linguagens e de Redação, que acontecem no mesmo dia da prova de Matemática. Aí, faltando meia hora para o horário final, ele começa a resolver a prova faltante. Resolve na sequência das questões, sendo elas fáceis ou difíceis, mas não consegue resolver a metade final da prova, onde estavam muitas das questões fáceis e de média dificuldade. O sistema não verá consistência no caminho desse aluno, pois ele acertou questões difíceis e errou questões fáceis. Resultado: sua nota será baixa.


Fazendo uma simulação com as 45 questões da prova de matemática, pudemos realizar alguns testes. Veja que radical a diferença entre as notas de dois alunos que acertaram diferentes 20 questões:
Um aluno que acertou as 20 primeiras questões dessa prova reorganizada (as 20 mais fáceis) obteve a nota 615,8, enquanto um aluno que acertou somente as 20 últimas (as 20 mais difíceis) obteve a nota 301,5. Ou seja, entre esses dois caminhos possíveis, a TRI entende que o do primeiro aluno é coerente e o seu nível de proficiência pôde ser realmente medido na prova. Já o aluno que acertou somente as mais difíceis ficará com uma nota menor, pois seu caminho não foi sólido (é aquilo que já falamos: ele pode ter acertado aquelas questões ao acaso).


Fica muito claro que a nota do ENEM é uma correlação entre a quantidade de acertos e a coerência do "caminho" de acertos. Por isso quem acerta somente as mais difíceis fica com nota tão baixa: esse não é um comportamento coerente, ele não acontece com pessoas que estão realmente preparadas. Ele só acontece com acertos ao acaso e/ou com o aluno que não resolveu toda a prova (que chutou parte das questões). Por isso, é importante que você, antes de tentar resolver as questões que julgar mais difíceis, garanta ter resolvido as questões mais fáceis: elas vão te conferir mais pontos do que as outras.

 

Fonte: Mateus Prado para o Estadão.

 


 

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